
Duas mulheres e dois homens, apontados como operadores financeiros de uma facção criminosa envolvida com o tráfico de drogas, são alvos da segunda fase da operação Contenção, deflagrada nesta terça-feira (16) pela Polícia Civil, com o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão em Juiz de Fora.
Na primeira etapa, em 28 de outubro, a manobra foi desencadeada pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), resultando na ação mais letal da história, com a morte de 117 pessoas nos Complexos do Alemão e da Penha. Desta vez, foram mobilizadas seis viaturas em Juiz de Fora, sendo três da PCMG e três da PCERJ.
Os policiais estiveram nas residências de quatro investigados – dois homens, de 26 e 52 anos, e duas mulheres, de 26 e 49 anos, moradores dos bairros Cascatinha, Zona Sul; Jóquei Clube, Zona Norte; e Furtado de Menezes, região Sudeste. “Eles são apontados como operadores financeiros da facção, responsáveis por viabilizar a logística e a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas”, detalhou a policia.
Nas casas, foram apreendidos celulares, mídias digitais e documentos, que serão analisados. As investigações indicam que os suspeitos “atuavam diretamente na movimentação e ocultação de valores ilícitos, prestando suporte financeiro à organização criminosa”. Desta forma, a operação Contenção visa a frear o avanço da facção, interrompendo a continuidade de suas atividades ilegais.
“Ao atingir os operadores responsáveis pela lavagem de dinheiro, a Polícia Civil atua diretamente no núcleo que sustenta a estrutura do tráfico, reduzindo a capacidade operacional da organização”, destacou o delegado Márcio Rocha sobre o intuito de enfraquecer financeiramente a facção criminosa.
A ação foi realizada de forma simultânea em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso.
Operação Contenção no Rio
De acordo com a PCERJ, a investida atacou o coração financeiro do Comando Vermelho, desarticulando um esquema de lavagem de dinheiro em larga escala comandado por Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, e Carlos da Costa Neves, o “Gardenal”. Além dos mandados de busca e apreensão, houve bloqueio de contas pessoais e empresariais, sequestro de bens móveis e imóveis e pedido de bloqueio de R$ 600 milhões.
No Rio, as diligências ocorreram na capital, na Baixada Fluminense e no município de Silva Jardim, no interior do estado. “A investigação, que contou com o apoio do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cifra), reforçou que o funcionamento da facção não se sustenta apenas pela venda de drogas, mas principalmente por um complexo sistema de lavagem de dinheiro, responsável por receber, ocultar, movimentar e reinserir valores ilícitos no sistema financeiro. Esse dinheiro financia a compra de drogas, armas, veículos, imóveis e a manutenção do domínio territorial. Ao atingir diretamente esse fluxo financeiro, a operação busca provocar o colapso do caixa da facção, retirando sua capacidade de custear a própria estrutura criminosa.”
As apurações apontaram que Doca e Gardenal estruturaram e coordenaram o esquema de lavagem de dinheiro, utilizando terceiros e empresas para dissimular a origem criminosa dos recursos. “No centro desse esquema foi identificado o responsável por receber, concentrar e movimentar grandes volumes de dinheiro, tanto em contas bancárias pessoais quanto em contas de empresas sob seu controle.”
O esquema ainda se valia de “mulas financeiras”, que seriam pessoas ligadas ao tráfico de drogas, à extorsão de moradores e à exploração de serviços ilegais, utilizadas para realizar depósitos em dinheiro vivo. “Esses depósitos eram feitos em valores elevados, frequentemente fracionados, realizados em diferentes agências bancárias e, muitas vezes, no mesmo dia, por pessoas distintas. Esse padrão é clássico de lavagem de dinheiro e tinha como objetivo dificultar o rastreamento da origem ilícita dos valores, prática agora desarticulada pela investigação financeira.”